Nós matamos Deus: Jesus é o nosso sacrifício reconciliatório substitutivo (3/4)


Posted on September 4th, by vinicius.m.pimentel in Artigos, Blog, Evangelho, Mark Driscoll, Morte por Amor. No Comments

Nós matamos Deus: Jesus é o nosso sacrifício reconciliatório substitutivo (3/4)

Trecho da introdução do livro Morte por Amor [adquira em nossa loja online]

A MORTE SUBSTITUTIVA DE JESUS (1/2)

Nos dias que antecederam a morte de Jesus, ele talvez tivesse seus 33 anos. Tinha boa saúde em razão do trabalho como carpinteiro e das constantes caminhadas de muitos quilômetros como ministro itinerante. Jesus começou a falar abertamente sobre sua morte iminente, até mesmo na refeição da Páscoa, da qual participou com seus amigos, como sua última ceia. Ali, ele quebrou quinze séculos de protocolo. Ao fazê-lo, mostrou que a refeição da Páscoa, comemorada anualmente pelo povo de Deus, encontrava cumprimento final nele. A Páscoa celebrava a noite no Egito em que o povo de Deus, por fé, cobrira os umbrais da porta de suas casas com sangue para que a morte não lhes sobreviesse aos primogênitos, mas passasse por sobre eles (Êx 6—12). Jesus, o Filho primogênito de Deus, da mesma forma, viera para morrer e cobrir-nos com seu sangue, para que a justa ira de Deus literalmente passasse por sobre nós, pecadores, como ato essencial da nova aliança (Lc 22.19-21).

Durante a Última Ceia, Satanás apoderou-se de um dos discípulos de Jesus, Judas, o qual fazia algum tempo vinha roubando do fundo destinado ao ministério de Jesus e tinha concordado em entregá-lo às autoridades para ser crucificado. Depois que Judas deixou o lugar da refeição para levar os soldados a Jesus, Jesus foi para o jardim do Getsêmani, onde passou a noite sem dormir, em oração e agonia. Nesse ínterim, os discípulos deixaram de interceder por ele em oração e, em vez disso, caíram várias vezes no sono. A essa altura, Jesus estava de todo consciente da crucificação prestes a sobrevir e estava tão aflito, que, como a Bíblia registra, suou gotas de sangue, um raro estado físico, segundo a medicina, uma vez que exige elevado nível de tensão que poucos já experimentaram. Também é possível, se não provável, que o fato se refira ao suor escorrendo dele da mesma forma que o sangue escorre de uma ferida aberta. De qualquer forma, somente nas mais terríveis experiências da vida, como essa, coisas assim são possíveis, e esse é o ponto central do relato bíblico enquanto Jesus se aproximava da cruz.

Depois da noite em claro de angústia e exaustão que Jesus experimentou, Judas chegou com os soldados e o traiu com um beijo. Jesus, então, foi preso. Teve de andar alguns quilômetros para uma série de acusações caluniosas, onde testemunhas mentirosas e contraditórias foram trazidas à frente para oferecer falso testemunho. A despeito da ausência de provas que substanciassem as falsas acusações, Jesus foi condenado à morte. Seus olhos foram então vendados, e um bando de homens o espancou covardemente e sem piedade. Depois foi despido, em grande vergonha, e a Bíblia diz apenas que o açoitaram.

Os açoites em si eram um acontecimento tão doloroso, que muitas pessoas morriam sem mesmo chegar à cruz. As mãos de Jesus foram presas acima da cabeça para expor suas costas e pernas ao azorrague do carrasco. O chicote era composto por longas tiras de couro. No final de algumas das tiras havia bolas de metal pesadas, destinadas a amaciar o corpo da vítima, como um chef amacia um bife. Algumas das tiras tinham ganchos feitos de metal ou de osso que perfuravam profundamente os ombros, as costas, as nádegas e as pernas da vítima. Uma vez que os ganchos perfuravam profundamente a carne amaciada, o carrasco rasgava a pele, os músculos, os tendões e até os ossos da vítima enquanto ela gritava em agonia, sacudia-se violentamente e sangrava profusamente. Centenas de anos antes, o profeta Isaías predisse os resultados dos flagelos de Jesus: “Assim como houve muitos que ficaram pasmados diante dele; sua aparência estava tão desfigurada, que ele se tornou irreconhecível como homem; não parecia um ser humano” (Is 52.14).

Então pressionaram sobre a cabeça de Jesus uma coroa de espinhos compridos, enquanto os espectadores que o haviam saudado com “Hosana!” zombavam dele, chamando-o de “rei dos judeus” (Mt 27.29). Por causa dos espinhos, o sangue começava a escorrer pelo rosto de Jesus, fazendo com que seus cabelos e barba se transformassem num emaranhado sangrento. Mais tarde, se Jesus tivesse conseguido enxergar claramente através do sangue e do suor que lhe ardiam os olhos, teria testemunhado os soldados lançando dados para ver quem ganharia o prêmio de seu manto.

Os ombros e as costas nus de Jesus, embora ensanguentados e traumatizados, foram então forçados a carregar até o lugar da crucificação sua travessa de madeira rudemente cortada, a qual talvez pesasse cerca de 45 quilos. Era provável que a cruz já estivesse coberta pelo sangue de outros homens. A madeira era tão cara, que as cruzes eram recicladas e, portanto, o sangue de Jesus misturou-se com as camadas de sangue, suor e lágrimas de inúmeros outros homens que haviam percorrido o mesmo caminho antes dele.

Apesar de jovem e de ter boa saúde, Jesus estava tão fisicamente arrasado pelas noites de insônia, pelos quilômetros de caminhada, pelas surras e açoites, que foi incapaz de carregar a cruz sozinho. Um homem chamado Simão de Cirene foi designado para carregar sua cruz. Ao chegar ao local da crucificação, arrancaram a barba de Jesus – ato máximo de desrespeito nas culturas antigas –, cuspiram nele e zombaram dele na frente da família e dos amigos.

Jesus, o carpinteiro, havia pregado muitos pregos na madeira com as próprias mãos, e agora pregos ásperos de metal, que mediam de 12 a 18 centímetros, estavam cravados em suas mãos e pés, nos nervos centrais mais sensíveis do corpo humano. Jesus foi pregado na cruz de madeira. Seu corpo se contorcia involuntariamente, enquanto ele gritava em absoluta agonia.

Jesus foi então erguido, e a cruz foi bruscamente colocada em um buraco preparado, levando seu corpo a tremer violentamente entre os pregos. Como mais uma forma de zombaria, foi afixada acima de Jesus uma placa que dizia “Jesus nazareno, o rei dos judeus” (Jo 19.19). Uma pintura romana do século ii, descoberta mais tarde, mostra ainda mais o desrespeito por Jesus em sua crucificação. A pintura representa a cabeça de um burro sobre o corpo crucificado de Jesus, com um homem em pé, ao lado dela, de braços erguidos. A inscrição dizia: “Alexamenos adora o seu deus”.

Nesse estágio da crucificação, as vítimas lutavam para respirar, enquanto o corpo entrava em choque. Nuas e envergonhadas, muitas vezes usavam as forças restantes para tentar se vingar da multidão de escarnecedores que se reuniam para ridicularizá-las. As vítimas amaldiçoavam os zombadores, urinavam e cuspiam neles. Algumas sofriam tanto com o impacto da dor, que não conseguiam controlar suas necessidades fisiológicas, e uma poça de suor, sangue, urina e fezes se formava à volta da cruz.

A crucificação de Jesus foi uma cena terrivelmente grotesca. Centenas de anos antes, o profeta Isaías a visualizou da seguinte maneira: “Foi desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de dores e experimentado no sofrimento. Como alguém de quem os homens escondem o rosto, foi desprezado, e nós não o tínhamos em estima. Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças; contudo nós o consideramos castigado por Deus, por Deus atingido e afligido” (Is 53.3,4). .

Além do espetáculo de horror do Jesus crucificado, Isaías também viu sua resposta silenciosa: “Ele foi oprimido e afligido; e, contudo, não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado para o matadouro, e como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua boca” (Is 53.7).

Em vez de maldizer os zombadores ou declarar a própria inocência, Jesus escolheu morrer com sua dignidade masculina intacta. Da cruz, proferiu suas sete últimas declarações. Essas palavras oferecem grande perspectiva acerca dos últimos pensamentos de Jesus e do propósito de sua morte.

Em primeiro lugar, Jesus disse: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo” (Lc 23.34). Essas primeiras palavras de Jesus são de perdão às pessoas que o estavam assassinando. Ele sabia que em seguida morreria para expiar os pecados delas, incluindo os pecados que estavam cometendo naquele momento contra ele. Nisso vemos a total abnegação de Jesus e sua firme devoção de salvar mesmo o pior dos pecadores por meio da cruz.

Em segundo lugar, Jesus disse a um dos ladrões crucificado a seu lado: “Eu lhe garanto: Hoje você estará comigo no paraíso” (Lc 23.43). No segundo pronunciamento de Jesus, ele fala de salvação. Estava prestes a morrer para expiar os pecados daquele homem e abrir os céus como um presente para ele desfrutar, estabelecendo um padrão a todos os que viessem a confiar em Jesus para a salvação.

Em terceiro lugar, Jesus disse a sua mãe, Maria, e a João, seu melhor amigo: “Aí está o seu filho [...] Aí está a sua mãe” (Jo 19.26,27). Ao olhar do alto da cruz, Jesus viu sua amorosa e piedosa mãe, Maria, que, sem dúvida, estava angustiada com a visão do filho mais velho. Preocupado com a mãe, em sua terceira declaração Jesus designa seu amigo mais próximo, João, para cuidar dela em seu lugar, como filho e pastor. Mais uma vez, vemos a abnegação absoluta de Jesus – seus três primeiros pronunciamentos são dedicados a seus assassinos, a um ladrão e a sua mãe, sem ainda nenhuma menção de suas próprias grandes necessidades.

Em quarto lugar, Jesus disse: “Tenho sede” (Jo 19.28). A quarta frase de Jesus confirma que sofreu humildemente como ser humano e experimentou as mesmas dores físicas e dificuldades que qualquer pessoa em seu lugar teria sofrido. Jesus não fez nada para conseguir um atalho como Deus ou para aliviar a angústia física que realmente sentia. Por mais surpreendente que fosse, o Deus que criou a água precisava desesperadamente de um copo para saciar a própria sede, singelo prazer que lhe foi negado.

continua…







Blog

ESTAMOS EM TESTE. Tentar substituir essa área por 1 post.

Evangelismo dia a dia

teste teste teste

Keller fala sobre porque o termo “missional” é importante.

Por: Jay Bauman

Vivendo no Brasil, não costumamos usar os termos “missional” e “contextualização do evangelho” com tanta frequência, mas creio que...

6/6 Desenvolvendo Líderes

Por: Filipe Niel

Filipe Niel, integrante de nossa equipe, pergunta a Mark Driscoll, em entrevista exclusiva para a Tempo...

[5/6] – Esposas de Pastores Pastoreando seus Maridos

Por: Filipe Niel

Filipe Niel, integrante de nossa equipe, pergunta a Mark Driscoll, em entrevista exclusiva para a Tempo de Colheita, sobre...

[4/6] – Aprendendo com Pastores mais Experientes
Mark Driscoll, em entrevista exclusiva, responde como ele consegue gerenciar a vida pastoral e a realização de grandes eventos.
[3/6] – Download de Pregação e Aconselhamento Bíblico
Mark Driscoll fala sobre pessoas que baixam pregações, mas se recusam a fazer parte de uma igreja e sobre aconselhamento bíblico.
[2/6] – Vida de Pastor e Grandes Eventos
Mark Driscoll, em entrevista exclusiva, responde como ele consegue gerenciar a vida pastoral e a realização de grandes eventos.
[1/6] – Gratidão e o Testemunho de Mark Driscoll
Filipe Niel pergunta a Mark Driscoll, em entrevista exclusiva para a Tempo de Colheita, sobre o testemunho de vida dele
John Piper – A Natureza da Fé
John Piper nos desafia a abandonar uma visão mecânica de fé - confirmação puramente assertiva de crer em Cristo - para uma fé viva...
O que é a Fé? (John Piper)
John Piper fala sobre uma das característica da fé baseado no texto de Hebreus 11:8.
Combatendo o Legalismo com a Cruz (C.J Mahaney)
A doutrina da justificação deve ser constantemente reforçada e revisitada, como Martinho Lutero estava bem ciente. Seu duro conselho: “Bata com isso em suas...
Justificados Pela Fé Somente (John Piper)
John Piper explica a doutrina da justificação pela fé somente, o centro do Cristianismo, que o diferencia de todas as outras religiões.